Não é que chegamos aos dez?

Aqui você vai encontrar um texto que no word rendeu um pouco mais de quatro páginas e não vai ter absolutamente nenhuma imagem para ilustrar a leitura e fazer parecer menor do que é. Esteja avisado.

Em 2011, eu adquiri meu 3DS na intenção de continuar jogando a franquia Pokémon (apenas para ser ludibriado com o lançamento do ano seguinte) e quando joguei Pokémon White, o primeiro game daquela que até hoje é minha geração favorita. Também foi quando a Grasshopper Manufacture pariu Shadows of Damned. Foi um ano em que eu estava viciadíssimo em Prince e em Laranja Mecânica, além de estar alucinado traduzindo Steel Ball Run e Gin no Saji para a Anime Nostalgia — além de desenvolver um processo de tradução para JoJolion que inclusive rendeu alguns releases antes das edições gringas. Naquela época, eu estava completamente frustrado com os caminhos horrorosos tomados por Bleach. Foram lançados 「C」 The Money of Soul and Possibility of Control e Un-Go, que entraram no Hall da Fama dos meus animes favoritos, enquanto eu ainda assistia Guilty Crown com algum interesse, morria de tédio com Fate/Zero e Gosick, frustrava-me com Fullmetal Alchemist Brotherhood: The Sacred Star of Milos e criava asco por Freezing. Em 2011, eu me formei no ensino médio. Em 2011 nasceu o Horny Pony.    

Em 2012, começamos com a JoJo’s Bizarre Alliance. O anime de JoJo foi anunciado ao lado do jogo All-Star Battle, no dia 5 de julho, e em outubro, no dia 6, foi quando começou a primeira parte, o que me fez aprender a editar vídeos e fazer legendas. Foi o ano em que asssiti Django Livre, que ao longo do tempo foi se tornando meu filme favorito, e quando Sucker Punch foi lançado no Brasil, para a minha alegria. Eu também tinha fé na Marvel. Em 2012 eu joguei Lollipop Chainsaw e pirava demais com os anúncios do Wii U, que havia sido apresentado ao mundo no ano anterior. 2012 foi quando eu presenciei Fire Emblem deixando de ser uma marca fracassada de RPG Tático para uma lucrativa franquia de sucesso de simuladores de waifu com o sucesso de Awakening, no 3DS. Foi quando me pegaram desprevenido (positivamente) e a Game Freak soltou o último grande jogo de Pokémon já feito, Black/White 2. Também foi quando terminou Guilty Crown, que logo tachei como uma grande enganação — isso enquanto eu me deleitava com Tsuritama e Jormungand. Em 2012, eu entrei na faculdade de jornalismo, tirei minha carta de motorista, pirei demais com o meu Corinthians botando o Boca Juniors e o Chelsea para mamar nas finais da Libertadores e Mundial, respectivamente.

Em 2013, terminamos o mangá de Stardust Crusaders (e a primeira temporada do anime) na Alliance e começamos Diamond is Unbreakable! Foi também quando logo no começo dele tive a oportunidade de fritar com The Next Day (o primeiro álbum do David Bowie após dez anos desde Reality) e o ano de Homem de Aço e Círculo de Fogo, dois filmes incríveis (e de Depois da Terra, um dos piores filmes que já assisti na vida). Também joguei Pokémon Y, Harvest Moon: Tree of Tranquility, Metal Gear Rising — vulgo o melhor Metal Gear por nem parecer Metal Gear — e Killer is Dead. Foi quando eu previ o fracasso que seria o lançamento da nova geração de consoles ao fim daquele ano (algo que se concretizou, uma vez que ela demorou para se consolidar de verdade) e eu soltava o verbo porque não aguentava mais aquela onda (passageira) de zumbis. Assisti a poucos animes, mas cheguei a me deixar levar pela onda inicial de Attack on Titan, além de me apaixonar por Gatchaman Crowds. Em 2013, eu tive uma fase meio esquisita em que eu desenvolvi uma skill em fotografia fazendo vários trabalhos freelance, já que minha saudosa Canon ainda aguentava o tranco. Ah, sim, curiosidade: tive a oportunidade de conhecer a redação da finada revista Nintendo World.  Apesar de tudo, aquele ano pareceu muito uma espécie de DLC de 2012.

Em 2014, terminamos Steel Ball Run na Alliance e acabei me afastando um pouco do portal (o que resultou em um segundo semestre quase sem lançamento por lá), sendo que a primeira parte do anime de Stardust Crusaders foi completado sem minha supervisão. Também foi uma época em que eu debatia muito a respeito da inviabilidade da publicação de JoJo no Brasil — especialmente a curto prazo — por conta de uma série de fatores que apanhei muito por expô-los (mas quando foram apresentados, de maneira mais comedida, por um veículo de maior expoência, ninguém questionou). 2014 foi o ano do meu último Anime Friends por um tempo, foi quando eu tinha fé no estúdio Trigger após enlouquecer com Kill la Kill e quando criei um apego momentâneo por Noragami (cuja abertura é foda demais). 2014 foi quando a ficha começou a cair a respeito do material enlatado e estupidamente sem graça do Universo Cinematográfico da Marvel e quando eu devorei a coleção inteira de Hellblazer da Vertigo. Pokémon ORAS saiu naquela época, quando eu acabei comprando o game logo no lançamento após jurar de pé junto que jamais iria fazê-lo. Em 2014, tive indiscutivelmente um dos melhores ano da minha vida particular, quando eu peguei meu primeiro emprego fixo (e usei a integridade do meu primeiro salário da vida para comprar meu Wii U), fiz uma viagem a Porto Alegre para apresentar um artigo manjadíssimo sobre jornalismo de games e foi ano de Copa do Mundo no Brasil.  Ah, sim! Outra coisa importante: agarrei a oportunidade e virei professor, dando aulas de redação para pré-vestibular, algo que continuo fazendo até hoje!

Em 2015, reorganizei a casa na Alliance, fazendo uma boa faxina no portal e lançando a novel do Dio traduzida. Foi um ano em que adquiri o hábito de ir ao cinema sozinho, quando assisti aquele que é tranquilamente o filme mais subestimado do estúdio Ghibli: O Conto da Princesa Kaguya. Também foi em 2015 que Mad Max: Estrada da Fúria chegou aos cinemas. Uma marca bizarra: terminei Final Fantasy XIII, fato que sempre uso de exemplo para ilustrar que eu não tenho muita paciência com RPGs, visto que esse aí eu o comecei logo quando foi lançado. Em 2015, eu me formei na faculdade de jornalismo com uma monografia transmídia sobre Jornalismo de Games. Também começaram alguns problemas de saúde, quando tive um piripaque após sair pra dar uma corridinha na avenida e acabei tendo que andar de bengala por umas duas semanas até me recuperar (admito que depois de um tempo eu estava só o George Constanza quando teve que fazer o mesmo) — mas eu juro que apesar de terem “começado”, eu sou uma pessoa saudável!

Em 2016, acabamos com o mangá da parte 4, Diamond is Unbreakable, ao mesmo tempo em que descontinuamos a JoJo’s Bizarre Alliance, acreditando na capacidade da própria fanbase em dar continuidade ao trabalho.  Foi o ano em que vi pouquíssimo anime também, resumindo-me a alguns em específico (Diamond is Unbreakable e Pokémon) e me foquei em filmes (como Appleseed) — o que explica a inexistência do PonyAwards referente ao período. Foi também o ano da palhaçada de Pokémon Go e de Fire Emblem Fates (Conquest foi um dos títulos mais complicados que já joguei na vida, puta que pariu). Em 2016, e eu comecei a pós-graduação e foi um ano em que perdi dois grandes ídolos meus numa paulada só, basicamente. Aliás, fiz aulas de francês, conhecimento esse que meu cérebro já apagou quase que por completo.

Em 2017, eu adianto que foi um puta ano pro cinema, na minha opinião, com Atômica, Bingo e Blade Runner 2049, um na sequência do outro (além de T2 Trainspotting e Ghost in the Shell). Foi o ano em que vi La La Land também, mesmo que nas gringas seja um filme do ano anterior. Em compensação, também foi um ano com verdadeiros desastres nojentos, tipo Thor Ragnarok e The Last Jedi. E agora, se você acha que 2016 foi um ano lixo pros animes que assisti, é porque não tem noção do que foi 2017, quando realizei a façanha de consumir tudo do Makoto Shinkai com o único intuito de revelá-lo a fraude que ele é. Dá para dizer que, na falta de um catálogo decente, o melhor anime que vi naquele ano foi o vigésimo filme de Pokémon, o do Lugia com o Zeraora, além de ter começado a assistir a graciosidade que é o anime de Sun/Moon. 2017 também foi o ano de lançamento do Switch, cujo anúncio não me empolgou nem um pouco (aliás, o primeiro ano do console foi realmente uma merda) e que, apesar de eu ter errado e o console ter se tornado um sucesso, não mudo minha opinião sobre ele, no sentido de que se trata de quase um rebranding do Wii U, tanto que uma parcela considerável da sua biblioteca é composto de ports de títulos do anterior e, em ambos os casos, as thirds estão cagando para o aparelho, com a diferença hoje é que elas estão ao menos fingindo que se importam. Aliás, 2017 é o ano de lançamento daquele que é tranquilamente o pináculo das narrativas interativas e, no mínimo, facilmente o melhor jogo da década: NieR Automata. Foi o ano em que retomei Dragon Ball Super, com o hype do torneio do poder. Em 2017, eu terminei a pós e me tornei oficialmente comunicólogo. Também foi um tempo em que eu me fodi gostoso com umas paradas e fiquei uma semana internado, de molho, no hospital. Ah, nas férias, viajei para Foz do Iguaçu naquele combo manjado com Paraguai e Uruguai. Em tempo: fiz uma tatuagem!

Em 2018, eu voltei a assistir animes de uma forma bem mais intensiva, voltando à velha forma. Entre os meus favoritos estão B: The Beginning, Akanesasu Shoujo, Batman Ninja, Hisone no Maso-tan e Banana Fish (além da parte 5 de JoJo, que, ao contrário da quarta, eu a aguardava ansiosamente). Em compensação, perdi meu tempo e disposição com desastres como Bunny-Girl, Sakura Card Captors: Clear Card, Violet Evergarden e Darling in the FRANXX (esse então foi o derradeiro responsável por me tirar da hibernação nessa questão das otaquices, de tão bomba que é). Aproveitei para colocar em dia alguns dos exibidos durante o meu período em hiato, como Little Witch Academia e One Punch Man, além do espetacular Death Parade, que figura na lista dos meus favoritos. Outro representante desse meu seleto hall da fama foi um mais antigo ainda que eu assisti pela primeira vez em 2018: Ergo Proxy. Nos games eu também fiz empolgantes descobertas, como o indie Full Metal Furies. Também tive a (in)felicidade de jogar Pokémon Let’s Go — e essa é a grande ironia: acabei comprando um Switch por volta de fevereiro (justamente para jogar Pokémon, mas o que viria a ser o Sword & Shield, além do anunciado No More Heroes, aquela bosta do Travis Strikes Again). Em relação a filmes, embora tenha rolado o surto coletivo promovido por Vingabobos: Memes Infinitos, também tive a oportunidade de assistir aos excelentíssimos A Forma da Água, Ilha dos Cachorros, Jovens Titãs em Ação nos Cinemas, A Casa que Jack Construiu e Infiltrado na Klan. Ah, o mangá de JoJo finalmente foi publicado no Brasil, ANOS depois de todo o debate, quando o mercado editorial brasileiro já funcionava de uma forma completamente diferente, quando a popularidade da série finalmente já tinha atingido uma maturidade e quando a Shueisha finalmente decidiu que ia vender a série em blocos em vez de obrigar a licença inteira. Também foi o ano em que fiz as pazes com Bleach. Em 2018, eu engatei um relacionamento com uma das pessoas mais incríveis que conheci <3.

Em 2019, o que rolou foi um ano em que a Nintendo combou legal com vários lançamentos de peso, como Smash Ultimate (é de 2018, mas foi tão no fim que dá para jogar no balaio), Fire Emblem Three Houses, Astral Chain e Pokémon Sword and Shield, mesmo com qualidade às vezes questionável em alguns desses casos (e eu joguei todos). 2019 também foi o ano em que eu finalmente me rendi e adquiri o meu PlayStation 4, tendo a oportunidade de conhecer o incrível e estupidamente subestimado Gravity Rush. Outra série que descobri e me tornei fã instantâneo foi Yakuza, sendo Judgment minha porta de entrada. No Cinema, teve outro montão de filmes legais, como Alita, Rocketman, Godzilla II, Bacurau, Entre Facas e Segredos e Doutor Sono para outros desastres, como Vingabobos Endmemes e Capitã Marvel. Ah, foi o ano em que conheci um outro anime véio que botei na lista de favoritos: Michiko & Hatchin. No Horny Pony, senti-me empolgado o suficiente para retomar o PonyAwards. Também retornei a um Anime Friends depois de anos de ausência. Em 2019, tive a oportunidade de passar um mês fora do país, em Portugal — e assisti a Shrek dublado em português de lá, uma experiência verdadeiramente única.

Em 2020, o blog recebeu uma bela recauchutada visual, uma vez que o tema antigo dele era o mesmo desde a concepção. Realizei a façanha de reassitir a todo anime de Yu-Gi-Oh, xinguei Promare para caralho (e o estúdio Trigger como um todo, que finalmente parou de me enganar) para então rasgar Kaijuu no Kodomo de elogios não muito tempo depois. Com a namorada, comecei a cair de cabeça no universo de Lupin the Third. Tive a oportunidade de assistir à pré-estreia de Human Lost, aqui em São Paulo. Joguei o remake Story of Seasons: Friends in Mineral Town — e terminei o Hokutão Yakuza, que é maravilhoso. Também joguei o melhor jogo de Dragon Ball já feito, Kakarot, e passei a reverenciar uma empresa que passei anos cascando, a Sega, além de, definitiva e oficialmente, jurar inimizade suprema à ArcSys (algo que já vinha sendo construído ao longo dos últimos anos). Tive uma série de problemas e dificuldades com a execução do PonyAwards, o que me fez descontinuar a premiação anual. Também coloquei Shingeki no Kyojin em dia e, com mais bagagem cultural, passei a ver a obra com outros olhos — bem negativos, por sinal. Em 2020, rolou a pandemia, mas não me incomodei muito porque sempre fui uma pessoa bastante doméstica e nunca tive lá muita necessidade de sair de casa.

Em 2021, o HornyPony completou dez anos. Eu olho para trás e penso em toda a trajetória ao longo desse tempo. Eu mudei bastante, tive cabelo comprido, raspei tudo e depois voltei a ter cabelo comprido. Já virei noites inteiras sem sentir nenhum efeito no meu corpo, algo que hoje em dia eu não aguento mais nem fodendo. Troquei muito de opinião ao mesmo tempo em que mantive várias outras — e foi algo que aprendi nesse meio tempo, que é completamente OK mudá-las e admitir isso. Minha vida em si mudou em vários aspectos, enquanto eu permaneci o mesmo em diversos outros. Eu me vejo uma pessoa verdadeiramente mais madura, tanto no lado particular da vida quando na persona Creissonino, que, convenhamos, era muito mais agressivo e radical nas ideias e hoje anda mais ponderado nas groselhas que fala. Sim, é claro que cometi muita cagada (e ainda cometo) e não vou cair no clichê de “não faria nada de diferente” porque seria mentira. Ainda assim, fico feliz de ver o quando o próprio blog também se desenvolveu nesse meio tempo na questão do conteúdo e na consistência do material que produzo.

Detalhe que a música Horny Pony, que deu origem ao nome do Blog, diz a respeito de uma nova dança que será a sensação “pelos próximos oito anos”, mas estamos suficientemente bem após dez anos e com algum fôlego para continuar. E, como comentei na comemoração de cinco anos, se manter uma ereção por mais de seis horas é algo perigoso, imagina como devemos estar agora.

Eu tenho algumas ideias de material especial para tocar ao longo do período comemorativo de 10 anos do Blog. Não sei se consigo colocá-las em prática — vide a quantidade absurda de textos on hold que tenho nos meus arquivos —, mas prometo que vou tentar. Não sei se você, uma das oito pessoas que estão lendo este texto, conheceu o blog agora ou é um dos três leitores recorrentes, mas agradeço a sua visita 😊

Um comentário sobre “Não é que chegamos aos dez?

  1. Acho que me encaixo na categoria de leitores descorentes Creissonino kkkk Eu te conheci na época da Aliance e sei lá, enquanto você era o cara que mantinha 80% daquilo, foi meio triste ver acabar. Mas levando em consideração como as coisas avançaram hoje em dia (legendas oficiais, serviços de streaming sicronizados com o Japão, sites com os últimos capítulos traduzidos de mangás em lançamento via mensalidade, variedade enorme de títulos sendo lançado no Brasil), acho que a gente consegue ter mais acesso, dando uma folga pra galera de fansub que trabalhava de graça pra gente ingrata.
    Também confesso que você é mais sucetivel na profissão de jornalista e professor do que eu poderia sonhar em ser, tanto porque assim como você o cansasso também me abateu nos últimos anos (assim como os problemas de saúde e a saúde mental desgastada).
    Acho interessante que você resolveu continuar com o blog, mesmo sendo um tipo de midia desprezada em relação aos podcasts (que hoje são coisa de gente que assina serviço de streaming de músicas, diferente de ser gratuito como antes) e youtube como o Jojo tentou e acabou desistindo vendo que a demanda e o retorno não valiam a pena.
    Velho, te desejo tudo de bom e continua a escrever, esses três gatos pingados e oito leitores aleatórios vai continuar vindo aqui de vez em quando pra checar se tem algo novo.

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