A Arquitetura da Destruição de Shingeki no Kyojin

Richard Wagner é um compositor alemão nascido em 1813. Sua Magnum Opus, O Anel do Nibelungo, tornou-se um pilar da identidade alemã da segunda metade do século XIX até o fim da primeira metade do século XX, uma vez que ele representa o espírito nacionalista daquela nação que havia acabado de passar por seu processo de unificação. Embora Wagner tenha falecido em 1883, sua obra como um todo pavimentou o sentimento ariano de pureza fascista e antissemita ao enaltecer, através de suas composições elaboradas e impactantes, a glória da raça germânica. Seu trabalho contribuiu com a formação e organização do nazismo (vide o motivo de Wagner ser costumeiramente chamado de proto-nazista) e, posteriormente, tornou-se um de seus símbolos, uma epítome de esperança para aquele povo que se sentia humilhado após a derrota acachapante na primeira guerra mundial e queria se reerguer.

Hajime Isayama nasceu em 1986. Sua geração dificilmente teve contato com veteranos das guerras em que o Japão tomou parte antes de ser internacionalmente proibido pela ONU de se envolver nesse tipo de conflito armado. Entretanto, Isayama tem idade suficiente para ter presenciado a euforia econômica pela qual o país passou durante os anos 80 até o estouro da bolha financeira no começo dos anos 90. Isayama cresceu, então, num contexto chamado de “década perdida”, que se enraizou profundamente na geração atual da força produtiva japonesa, conhecida por conta do sentimento derrotista e que propiciou o nascimento dos Soshoku Danshi, os chamados homens-herbívoros que, assim como os animais adeptos de tal regime alimentar, não têm o instinto de caça pela sobrevivência e vivem a vida passivamente, sem ambições (leia-se ambições como “encontrar uma namorada”, “formar uma família” ou “crescer profissionalmente”)[1].

De fato, o sentimento de orgulho militar nacionalista evocado pelos personagens de Shingeki no Kyojin, a obra de Isayama, é muito diferente de sua audiência média no Japão. Diz ele que a ideia por trás dela veio quando presenciou um estrangeiro enorme pedir um café em uma cafeteria, mas é óbvio que todo o contexto de sua criação dentro de uma sociedade derrotista influenciou sua criação. Afinal, um ser humano não é uma tábula rasa, é um mosaico de referências colecionadas ao longo da vida — estas que serão usadas em uma colagem que resultará novas produções que servirão de referências para terceiros, assim sucessivamente.

E aí, vamos falar o óbvio: é coincidência que a ascensão de Attack on Titan tenha coincidido com uma política de valorização nacional — e nacionalista — promovida pelo então recém-eleito primeiro-ministro Shinzo Abe[2]? Com isso em vista, Shingeki no Kyojin não é necessariamente sobre o militarismo, sobre guerras ou sequer sobre genocídio, mas sobre nacionalismo aplicada à realidade japonesa e, por extensão, como ele vem novamente ganhando forma no mundo inteiro ao longo da última década.

Porque vamos lá, aqui a gente vai muito além da questão do Dot Pixies ser referência ao General japonês de não sei qual passado longínquo do Japão. Attack on Titan, na verdade, é uma alegoria simplificadora do nacionalismo como força-motriz das sociedades — e a japonesa é só o início. Lembra-se dos Soshoku Danshi e a geração perdida? É claro que se lembra, não tem nem três parágrafos desde que eu os citei. Pois então, seu estilo de vida é constantemente encarado como o principal entrave da civilização nipônica moderna. Um exemplo é como eles contribuem com a deflação insistente que assola o país — e que Shinzo Abe trabalhou o mandato inteiro para tentar reverter[3].

Tá bom. Todo mundo já entendeu que o Dot Pixis é aquele general japonês safado (e eu pensando que todo careca, na verdade, era Foucault disfarçado).

Deflação, no caso, é tão ruim quanto a inflação. Enquanto a inflação é a desvalorização do dinheiro de forma desenfreada, levando ao aumento de preços que não acompanha a renda e o poder aquisitivo, a deflação segura a economia, uma vez que se aplica a seguinte lógica (de uma maneira reducionista): com inflação, eu compro o produto agora porque sei que seu preço pode aumentar logo mais. Isso movimenta a economia de consumo. Com deflação, eu enrolo para comprar o meu produto para sempre porque eu sei que o preço vai ficar daquele jeito — principalmente porque a moeda, ao invés de se desvalorizar, só se valoriza ainda mais, então compensa guardá-la embaixo do colchão. A geração japonesa atual, no caso, não sabe o que é inflação e reage negativamente às alterações de preço (para mais), fazendo com que o buraco fique cada vez mais fundo em uma espiral sem volta[4].

Outro “mal” do Japão moderno são os tais Hikikomori, jovens adeptos do isolamento e que se recusam a sair de casa, sentindo-se confortáveis sem o contato social e que passam anos sem botar o pé na rua — isso tratando-se de uma época antes do “novo normal” forçado pela pandemia de COVID, ressalta-se. A cultura da vergonha enraizada no país faz com que essa juventude simplesmente queira se fechar, se esconder do resto do mundo[5].

É aí que Attack on Titan começa, mais do que nunca, a fazer sentido. Idealmente, o conceito do Sasageyo é notavelmente despertador. Nos primeiros arcos da série, principalmente, ele é tão revigorante e intencionalmente estimulante quanto o heroísmo que o Superman deveria propiciar, por exemplo. Dito isso, a revolta dos habitantes da ilha de Paradis contra os muros que os isolam do resto do mundo, não poderia servir como um exemplo de se estufar o peito e criar coragem para sair por aí “contra tudo e contra todos”, muito adequado à realidade dos Hikikomori? De fato, não seria nada ruim, isto é, se ficasse por aí, uma vez que estimularia a chamada geração perdida a compor, finalmente, a força trabalhista de um país. O problema, contudo, é o que acompanha essa ideia.

A animação do Wit sempre foi lixo. E não me vem com essa de ser in-between frame, esse em específico deveria ter a qualidade da porra de uma pintura.

Esse tipo de política, como constatado, anda de mãos dadas com a política nacional de Shinzo Abe. Outro fator muito interessante a ser levado em conta é a brecha encontrada pelo primeiro-ministro para promover uma manobra de desenvolvimento bélico — o Japão tinha perdido o direito de possuir um exército ativo após a presepagem da Segunda Guerra Mundial[6]. Dito isso, está nesse ponto outro aspecto análogo à ilha de Paradis, uma vez que os Descendentes de Ymir foram reclusos à ilha de Paradis sem quaisquer acesso à tecnologia do resto do mundo — algo que fez com que os próprios habitantes tivessem que desenvolver um sistema bélico próprio, algo que dá a chance de tal nação contra-atacar. Agora pense: o Japão não pode declarar guerra, mas nada impede ele de se defender, da mesma forma que Paradis não tinha capacidade de se projetar contra o resto do mundo, mas desenvolveu táticas defensivas contra o ataque dos próprios Titãs, que fomentavam tais investidas.

Como a história de SnK, então, se desenvolve? Com Paradis usando esse mesmo argumento para finalmente se rebelar contra o resto. É justamente uma espécie de alegoria para a superação do derrotismo nacional imposto eras atrás, algo que aconteceu com a própria Alemanha também às vésperas da Segunda Guerra, quando burlou o Tratado de Versalhes, sancionado a ela após a derrota na Primeira Guerra e que impunha os mesmos impedimentos de declarar conflito ou de manter forças armadas ativas. O fascismo alemão, então, aconteceu e promoveu um sentimento não só de nacionalismo, mas revanchista também contra as nações que fizeram isso com eles — eu poderia citar 1984 e explicar como os dois minutos de ódio servem justamente para unificar a nação contra seus inimigos, mas trazer Orwell para a roda de discussão, hoje em dia, é muito blasé.

As tendências fascistas do Eren já podiam ser observadas desde o episódio 3, quando ele fez este belo cosplay de Mussolini.

O nacionalismo é uma existência naturalmente ruim e intrinsecamente fascista no sentido de que ele é utilizado para promover uma identidade nacional e necessariamente colocá-la acima de outras de uma forma elitista. Isso vai desde a estética alemã durante o período das guerras a até mesmo a todo ideal estadunidense de vida e aquele discurso de liberdade. Essa questão da unificação nacional sob uma bandeira é sempre utilizada como uma forma de levantar muralhas (oh, ironia) contra outras influências externas, algo que consequentemente se desenvolve na questão da purificação da raça. É a renegação da colaboração internacional em prol da individualização nacional. Pelo amor de deus, vocês não viram “A Onda” nas aulas de história[7]?

Ah, mas é claro. Os entendidos tendem a insistir que o tema oculto de Shingeki no Kyojin tem a ver com a questão da herança para as próximas gerações, na ideia de não deixar a elas um fardo que deveria ter sido resolvido por você, trazendo uma dicotomia entre sacrificar a própria liberdade para permitir que a próxima geração continue em segurança nesse sistema ou simplesmente derrubá-lo você mesmo para que elas sejam verdadeiramente livres.

E aí é que entra a questão do Natalismo, uma vez que de que Marley é contra essa proposição de dar continuidade às próximas gerações, atrelando um valor negativo ao nascimento, enquanto os natalistas, de Paradis, lutam justamente para que as próximas gerações possam perdurar. A fundamentação por trás do Eren, inclusive, é acreditar que o nascimento está intrinsecamente ligado à liberdade — e ele é um genocida safado justamente porque a liberdade dele foi tirada logo em seu nascimento e, por consequência, quer que as futuras proles não sofram o mesmo.

A abertura literalmente esporra essa questão do natalismo na cara do espectador. 

Lindo, né? Que pena que isso cai por terra porque políticas natalistas são intrinsecamente ligadas ao quê? Pois é, acertou! A, mais uma vez, nacionalismo. A Itália Fascista de Mussolini traçou quatro batalhas econômicas que seriam travadas internamente no intuito de fomentar o crescimento do país. Uma delas é justamente a Batalha Pelos Nascimentos, que visava aumentar a população do país na justificativa de criar um império que, em números, ultrapassasse o Romano de séculos atrás.

Cortemos para o Japão moderno, novamente. Retomaremos aos Soshoku Danshi, os homens-herbívoros sem ambições e completamente passivos ao universo à sua volta, cuja melhor forma para defini-los é “homens que urinam sentados porque têm preguiça de mirar e potencialmente encarar o erro” (a analogia aqui é real). Chamaremos a atenção para o fato de que o tal objetivo com o qual esses homens não querem assumir é justamente o de criar uma família.

Curiosamente (ou não), o próprio governo japonês estabelece programas contínuos de incentivo à natalidade como uma forma de alavancar os índices de nascimento[8], aumentar o número populacional e, mais importante, aumentar a mão de obra no país a longo prazo — que hoje é extremamente escassa, ressalta-se. Assim, o problema crucial na questão não é ter ou não ter filhos (e não que eu seja defensor, eu particularmente quero passar longe dessa ideia), mas é em como isso afeta a economia[9].

Nesse aspecto, muitíssimas produções midiáticas japonesas estão tocando em tal problemática. Isso vai desde a renegação do progresso, que é Darling in the Franxx, a até mesmo obras mais simples e diretas, como Pokémon, visto que o final de Pokémon Sun/Moon é justamente o Kukui esperando o filho dele com a Burnet — aliás, todo o desenvolvimento do Kukui é baseado nessa ideia de se casar, ter filhos e formar família.

Nota-se então relação direta que a política de Shinzo Abe, que até 2025 visava aumentar a taxa de nascimento de 1,4 para 1,8 por mulher, tem a ver com a Batalha dos Nascimentos de Mussolini. A ideia dele, na realidade, era aumentar a população italiana justamente para que houvesse sustentação e mão de obra para colocar em prática seu projeto expansionista.

Tudo isso não muda o fato de que o desenvolvimento narrativo de Shingeki no Kyojin é podre. A premissa original dos Humanos vs. Titãs, quando tudo era um simples shounenzão mongol de batalha, dava para acompanhar. Depois que o Isayama começou a delirar com as questões conspiratórias governamentais tentando com todas as forças deixar a série mais “madura” do que realmente deveria ser — resultando apenas em uma trama dramática piegas, que não dá para levar a sério de tão forçado que é o impacto que tenta promover —  o negócio só rolou ladeira abaixo. Fullmetal Alchemist, por exemplo, trabalha uma infinidade de temas similares  — incluindo a conspiração governamental — sem se perder nos próprios delírios de grandeza paranoica. Some isso ao péssimo ritmo narrativo tanto do mangá quanto do anime que nada vai restar.

Uns três episódios pra colocar a merda da pedra no lugar, bicho. Tudo isso pra porra duma pedra.

Falando de Eren Jaeger, especificamente, é um caso à parte de personagem ruim. Porque, vamos lá, a grande questão é: o Magneto dos gibis é sempre visto como um vilão narrativamente exemplar em sua construção. O Magneto clássico, quando a questão do heroísmo era contrastantemente dicotômica no bem e no mal. Reveja: ele é um mutante judeu que sofreu na segunda guerra, mas que quer colocar seu povo no topo porque acha que todo mundo além de seu grupinho é podre. Ele é uma criatura odiosa nascida do ódio.

O Eren é a mesma coisa, trata-se de um Eldiano que sofreu a vida inteira que decide retaliar. Ódio contra o ódio. Por que, então, mesmo com seu plano genocida, ele é elevado ao status de herói tanto pela construção contextual narrativa quanto pelos fãs dessa galhofa? Não seria absolutamente nenhum problema se o Eren fosse um protagonista de declínio, como é o caso do Walter White (de Breaking Bad), por exemplo, no sentido em que acompanhamos sua derrocada progressivamente na acepção de que ao fim ele deixou justamente de ser o herói e que o público entende sua evolução a um vilão, um não-exemplo. Sim, ele comete atrocidades, mas o tom narrativo da série deixa claro o quão vilão ele foi para todos à sua volta.

O Isayama, em contrapartida, até tentou fazer, nesse penúltimo capítulo, o Eren pagar pelas merdas que ele fez, com a história da Mikasa decapitando o sujeito, mas a fúria da fanbase em relação a esse ocorrido — que gostaria de tê-lo visto ter êxito em sua jornada do vilão — atesta que a história foi pessimamente conduzida pelo autor, que não soube encaminhar o enredo da mesma forma que Breaking Bad, no intuito de fazê-lo intragável ao olhar do fã.

Isso que não falei da Mikasa, cujo papel na história é literalmente o mesmo da Rei Ayanami em Evangelion. Da mesma forma que a Primeira Criança é uma boneca a ser completamente manipulada por Gendo e, consequentemente, é uma crítica expressa à mulher perfeita para o chamado otaku[10], a relação da Mikasa com o Eren é análoga, representando o ideal de moça submissa, manipulada, sem emoções e completamente devotada. Sim, é exatamente o que você está lendo: a Mikasa é uma péssima personagem de caráter tão fetichista quanto qualquer waifu de anime ecchi que você vê por aí.

Na boa, nenhum personagem de Attack on Titan é realmente memorável, convenhamos. Todos eles levam o enredo para frente com a barriga, na maioria das vezes, e muitos sequer têm um ethos devidamente formado para se saber o que é estar dentro ou fora do personagem que eles deveriam ser. São verdadeiras tábulas rasas e qualquer característica mais evidente, mais marcante, acaba caindo mais na caricatura estereotípica do que como uma faceta, de fato. Vide a forma como a Sasha se resumia basicamente à questão de como ela gosta de comer e só (ainda, tentaram forçar a ela um drama extremamente barato com sua morte, algo que não deveria ter impacto nenhum em ninguém porque a própria personagem, salvo os alívios cômicos dignos de MCU, só teve um único momento de destaque anteriormente) ou como o Levi é colega de faculdade de edginess de figuras como Dante, do Devil May Cry. Talvez a que vá mais longe nessa conversa toda de desenvolvimento é a Historia, muito por conta de seus conflitos internos envolvendo sua ancestralidade e de sua relação com a Ymir.

Essa cena, com esse lens flare, parece até que foi feita pelo embuste do Makoto Shinkai.

Aliás, voltando a FMA, a obra da Arakawa também utiliza a imagética fascista sem se tornar uma propaganda gritante, basicamente. Porque queira ou não, Shingeki no Kyojin é propaganda fascista sim. O fato de você bater com todas as pernas, falando que não é, ou que não está nem aí para isso, é o atestado claro de que você está comprando essa baboseira sem nem sequer perceber. Não estou dizendo que o indivíduo assistirá/lerá e irá promover um genocídio em massa por influência da idealização do Eren, mas tenho certeza que a mente dele está no caminho de votar em quem potencialmente irá.

No fim das contas, a principal problemática por trás de Attack on Titan é a sua contextualização. É um mosaico, produto de seu tempo que, por sua vez, ajudará a calcar outras produções e sentimentos daqui para frente, da mesma forma que a obra de Wagner o fez. O perigo (se é que podemos chamar assim) em potencial desse material não está em sua existência simples e pura, mas na forma como seu público o interpreta, ou melhor, deixa de interpretar. De certa forma, algo similar acontece com Monteiro Lobato — apagar os impropérios racistas em sua obra seria o mesmo que fechar os olhos para o passado, e a mesma coisa se aplica aqui: não feche os olhos para esses elementos verdadeiramente problemáticos de Shingeki no Kyojin, é assim, com esse tipo de indiferença, que esse tipo de ideia bosta se ramifica nas sociedades atuais.

Sabe, eu adoro Drifting Dragons, mas eu tenho plena consciência que aquilo lá se trata de uma alegoria que coloca a caça baleeira como algo heroico — e sim, isso é tão problemático quanto as ideias trabalhadas por Isayama em Attack on Titan. Wagner ainda é um dos compositores mais prestigiados dos últimos séculos. A apreciação pelas obras dentro de sua qualidade (mesmo que a de SnK, como narrativa apolítica, seja questionável do mesmo jeito pelos motivos que comentei) não é algo condenável, mas contornar esses problemas que elas carregam, fingindo que eles inexistem, é — na verdade, é a forma de interpretá-los dentro de seus contextos que os tornam interessantes dentro do cânone cultural.

Próximo de seu derradeiro fim, Isayama pode subverter completamente essas ideias que ele explorou como positivas ao longo de toda a trama de Shingeki no Kyojin. Entretanto, isso não muda o fato que o estrago já foi feito ao longo de boa parte dela, que foi publicada ao longo de mais de dez anos. É intrínseco a ela. Assumindo uma visão analítica externa, torna-se um verdadeiro ensaio — proposital ou não — sobre a realidade japonesa do século XXI.

[1] “O termo ‘homem herbívoro’ foi cunhado por uma jornalista japonesa em 2006. Por volta de 2009, a falta de ambição dos homens japoneses se tornou um meme da mídia. Com os últimos registros no Japão de homens que não conseguem se relacionar com mulheres de verdade que não se casarão ou terão filhos, o fenômeno mútuo de indiferença ao gênero se tornou comum”. KELTS, Roland. Japan leads the way in sexless love. The Guardian, 2011 (em inglês).

[2] “Shinzo Abe, o mais longevo primeiro-ministro do Japão, anunciou na sexta-feira, 28, que renunciaria ao cargo, encerrando um longo período de estabilidade do país, em um mandato que perseguiu uma agenda conservadora de restaurar a economia do país, mas também o orgulho militar e nacional”. RICH, Motoko; GOLDMAN, Russell. Entenda o que a renúncia de Shinzo Abe significa para o Japão e a Ásia. The New York Times (via Estadão), 2020.

[3] “Com sua política do dinheiro barato, injeções conjunturais financiadas por endividamento público e a promessa de reformas estruturais, Abe despertou – não só no próprio país – a esperança do fim dos anos de deflação e estagnação”. ROSTEK-BUETTI, Andreas. Ascensão e queda da política econômica do premiê Abe. Deutsche Welle, 2020.

[4] “O lento avanço no combate à deflação reflete as dificuldades de superar expectativas e comportamentos enraizados, especialmente entre os japoneses mais jovens, que nunca vivenciaram aumentos de preços, disse Taro Saito, economista sênior do Instituto de Pesquisa NLI, em Tóquio”. TABUCHI, Hirohiko. Hábito de poupar prejudica luta contra deflação no Japão. The New York Times (via Gazeta do Povo), 2014.

[5] “‘No Japão há um ditado muito famoso que diz: ‘O prego que se destaca leva martelada”, diz Kato. ‘E as rígidas normas sociais, as altas expectativas manifestadas pelos pais e a ‘cultura da vergonha’ fazem com que a sociedade japonesa seja terreno fértil para sentimentos de inadequação e o desejo de querer se esconder do mundo'”. GENT, Edd. Quem são os hikikomori, os jovens japoneses que vivem sem sair de seus quartos. BBC, 2019.

[6] “Abe quer reinterpretar o Artigo 9º. da Constituição, segundo o qual Tóquio renuncia à guerra como direito soberano para resolver qualquer disputa, e que até agora o impediu de exercer o denominado direito de defesa coletiva – ou seja, a mobilização de soldados para ajudar aliados que sejam atacados”. REINOSO, José. O Governo japonês acelera o plano para ampliar sua capacidade militar. El País, 2014.

[7] Die Welle (A Onda). Direção de Dennis Gansel. Alemanha, 2008 (107 min).

[8] “Isso levou o governo a criar incentivos para que as pessoas se casem e tenham filhos. Uma das metas estabelecidas pelo governo do premiê Shinzo Abe é elevar o índice de fertilidade de 1,4 nascimento por mulher para 1,8 até 2025”. WINGFIELD-HAYES, Rupert. Por que os jovens japoneses estão cada vez menos interessados em sexo. BBC, 2017.

[9] “Tudo isso se traduz em um fardo para o sistema de saúde e seguridade social que deve lidar com uma população que está envelhecendo – e adoecendo – e escassez na força de trabalho. De acordo com uma pesquisa da Reuters, há 1,63 empregos disponíveis para cada pessoa à procura de trabalho, o maior índice desde 1974”. PLITT, Laura. Os problemas enfrentados pelo Japão por ter restringido de maneira dura a imigração. BBC, 2019.

[10] “Rei [é] uma garota depressiva e suicida cujos olhos grandes, corpo de menina e expressão vazia têm sido o modelo para as personagens femininas centrais na anime japonesa na última década. ‘Rei é alguém que está ciente do fato de que mesmo se ela morrer, haverá outro para substituí-la, então ela não dá muito valor à sua vida’, explica Anno, […] ‘Sua presença, sua existência – existência física – é efêmera. Ela é uma garota muito triste. Ela só tem o mínimo básico do que precisa. Ela está danificada de alguma forma; ela se machuca. Ela não precisa de amigos.’ Anno entende a atração nacional japonesa por personagens como Rei como o produto de uma paisagem imaginativa atrofiada nascida da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial”. SAMUEL, David. Let’s Die Together: Why is anonymous group suicide so popular in Japan?. The Atlantic, 2007 (em inglês).

[11] Undergångens arkitektur (Arquitetura da Destruição). Direção de Peter Cohen. Suécia, 1989 (119 min).

3 comentários sobre “A Arquitetura da Destruição de Shingeki no Kyojin

  1. Essa análise é perfeita. Eu tinha acompanhado o mangá e o anime nas primeiras temporadas e já estava notando o quão raso são os personagens e problemática a história e a alegoria simbolista dos titãs, mas ai de mim tentar abrir os olhos do coleguinha que gosta da Sasha, da Mikasa (que tambémm me lembra a Lightning do FFXIII em termos de personalidade e desenvolvimento raso) e do edgy boy Levi. O mesmo fanboy e fanbase que juram de pé junto que Shingeki é ficção e não tem nada baseado da realidade tá usando meme de “Vai chorar?” do Bolsonaro pra exaltar a Facção Eiger. Eu tou cansada dessa galera, namoral… E o nosso cenário atual, de esse tipo de coisa na cena geek e até na vida real é um reflexo desses pensamentos de minimizar a importância dos acontecimentos da vida real e a relação dele com as obras de cultura pop que saem por aí.

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